📚 Culinária Ítalo-Gaúcha e suas raízes

Autor: Kléber Ascari #saomarcos Publicado em: 24/02/2026
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Professor e historiador

Imagem do artigo Culinária Ítalo-Gaúcha e suas raízes

A culinária Ítalo-Gaúcha é uma somatória da gastronomia trazida pelos nossos antepassados e pelos pratos que faziam parte do cotidiano do RS no século XIX e também pela necessidade e pela adaptação ao que este novo mundo (América) oferecia de recursos a estes sofridos imigrantes...

Muitos não sabem, mas o pinhão das araucárias, os pássaros silvestres que atacavam as primeiras lavouras dos colonos e tantas frutas e tubérculos que desconheciam acabaram salvando muitos de morrerem de fome.

São vários os exemplos desta "fusão" gastronômica que acabaram dando origem à culinária típica da Serra Gaúcha. São tantos, mas hoje focaremos em dois exemplos: a polenta, ícone da nossa região, e a pizza, esta o maior símbolo mundial da gastronomia italiana.

Polenta: a polenta tem origem no norte da Itália e foi um dos principais alimentos das populações rurais e até dos soldados do Império Romano. Feita inicialmente com aveia e outros cereais, só passou a ser feita como conhecemos hoje com a introdução do milho na Europa no século XVI, transformando-se rapidamente num prato popular em grande parte do continente.

Na nossa região chegou a partir de 1870 com as primeiras levas de imigrantes italianos.

Servida quente e pastosa, com molho, carnes e queijos, também é consumida "brustolada na chapa" após esfriar e, com o tempo, tornou-se um petisco popular nos bares de todo o Brasil: a polenta frita, esta uma adaptação bem tupiniquim!!

Pizza: nasceu em Nápoles, mas suas raízes são bem mais antigas, remontando a egípcios e romanos. Sua primeira referência na Itália data de 997 d.C., sendo uma massa de pão achatada com molho de tomate (pomodoro), queijo e basílico (manjericão).

Na Itália, a pizza transcende a culinária; ela é um símbolo de identidade e tradição, de união fraterna e convivência familiar, sendo reconhecida pela UNESCO como patrimônio cultural imaterial da humanidade, título este que hoje se estende para toda a gastronomia típica italiana.

Na Itália, inclusive, a pizza tem variações de uma região para a outra:

Pizza napoletana: massa fina e leve, de longa fermentação, com borda alta, crocante e ingredientes simples como o sugo di pomodoro, mozzarella fresca e basílico. É a pizza italiana por excelência, consumida em todos os cantos da Terra.

Pizza romana: massa mais crocante, sem borda e com uma variedade infinita de combinações e sabores.

Pizza siciliana: geralmente retangular, assada em grandes formas para ser servida ou vendida em pedaços; é chamada também de pizza al taglio (pedaço).

No Brasil, a pizza foi introduzida a partir da década de 1910 por imigrantes italianos em São Paulo. Com o tempo, tornou-se um dos alimentos mais consumidos do país, adaptando-se ao gosto nacional com diferentes tipos de massas e misturas de recheios, compartilhada por pessoas ou grupos (na Itália, a pizza é feita para ser consumida individualmente).

Curiosidade: a pizza Margherita foi criada em 1889 por Raffaele Esposito para homenagear a Rainha Margherita de Savoia, soberana do Reino de Nápoles. Suas cores (vermelho, branco e verde) representam a bandeira da Itália.

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